segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Discriminação anti-ateísta.


A reação à declaração, pelo Twitter, da estudante Mayara Petruso, de intolerância em relação aos nordestinos, provocou saudável reação da população e ela responderá criminalmente pelo que fez. Muito acertado!

http://twitpic.com/32ted4

No entanto, ainda persiste um preconceito e intolerância que não recebe da população o mesmo nível de rejeição: a intolerância em relação ao ateísmo. A constituição garante a liberdade de culto e de crença, todo mundo estando de acordo que qualquer pessoa possa ter a crença que lhe aprouver ou se filiar à religião que quiser. Isto, certamente, inclui a possibilidade de não ter crença religiosa nenhuma nem ser filiado a religião nenhuma. Todavia, tal comportamento não é aceito por grande parte da população. Muitos consideram que os ateus sejam pessoas "do mal", isto é, que sejam devassos, imorais, desonestos, perversos, inconfiáveis, malvados, salafrários, vigaristas, libertinos, criminosos e tudo de ruim que uma pessoa possa ser. Que sua presença na sociedade seja um câncer maligno a ser extirpado sem dó nem piedade, visto que corromperiam todo o organismo social de forma deletéria  e irreversível. Assim se manifestaram os candidatos à presidência da república neste recente pleito.

Nada mais enganoso.

O ateísmo é apenas a descrença na existência de qualquer divindade (ou a crença em sua inexistência), podendo  incluir também (o que geralmente se dá) a descrença na existência de espíritos de qualquer tipo (alma imortal, anjos, demônios, gênios, djins etc.) . Ou seja, a descrença na existência de toda realidade sobrenatural. De resto, o ateu pode ter qualquer outro tipo de concepção a respeito do que quer que seja, bem como qualquer tipo de caráter. O mesmo ocorre com os crentes de qualquer doutrina religiosa. Partido político, ideologia econômica, time de futebol e comportamento moral, ateus e crentes podem ter qualquer um, de forma inteiramente dissociada de sua concepção sobre a existência de divindades.

Todavia, meu conhecimento é de que, proporcionalmente, os ateus são muito mais éticos, justos, honestos, solidários, corretos, confiáveis, bondosos, corretos e do bem que os crentes. Talvez por não confiarem em justiça divina nenhuma, sentem que é a própria sociedade que tem que fazer por onde o bem prevaleça e o mal seja erradicado, visando o bem estar e a felicidade do maior número de pessoas.

Assim, não consigo entender como pode alguém se insurgir contra quem não creia em Deus, se essa pessoa for tão boa como outra pessoa boa que creia em Deus e, certamente, muito melhor do que uma pessoa má que creia em Deus. Inclusive, se Deus existir, e for bom, como dizem os crentes que é, não poderá condenar quem não creia nele de forma honesta e sincera, se se trata de uma pessoa de boa conduta. Da mesma forma que, se existir vida eterna para a pretensa alma imortal, que seria levada ao céu ou condenada ao inferno (ou a se reencarnar), isto não pode ser feito em consideração ao tipo de crença que se tenha, mas à conduta de vida que se leva. A concepção calvinista de pré-destinação é algo completamente antagônico à concepção da bondade de Deus.

Vejam os comentários deste site:

http://bulevoador.haaan.com/2010/11/08/casos-petruso-e-datena-contra-a-xenofobia-tudo-contra-o-odio-a-ateus-quase-nada/

3 comentários:

Jacques disse...

Ser bom não tem nada a ver com ser religioso.
Pessoas que não acreditam em Deus apenas estão acima da necessidade de acreditar apenas por acreditar.
É muito triste que ainda existam pessoas que usam a religião como desculpa para agir decentemente.
Até mais.

meroSmero disse...

Oi, meu irmão também é físico e matemático, e assim como ele e meu pai não acreditamos em coisas religiosas.
Mas, fica difícil conviver, mesmo na família. Minha mãe é super religiosa.
Engraçado que te encontrei no blog da minha amiga russa
http://houseofmylove.blogspot.com/
Tudo de bom pra você!
Sandra

Xand disse...

Ateus sofrem de intolerância? Acho que o que acontece é justamente o contrário. Basta ver as mídias de comunicação e as políticas que avançam em nossa sociedade. É proibido ser religioso, são zombados, hostilizados em toda a parte, e não falo do Oriente Médio, estou falando do Brasil.

Agora falar em proporção sobre bondade e maldade de religiosos e crentes é um disparate. Se é mesmo do seu conhecimento isso, como você falou, por favor, cite as fontes, as pesquisas, estatísticas que comprovem isso que você disse. Ora! Se falou em proporção, deve ter alguma pesquisa estatística que abone isso.

Realmente ser ateu não é nenhum mal à sociedade, mas ser simplesmente ateu é coisa que não tenho visto muito. Vejo muito mais ateus militantes e aí está o mal, quererem impor uma cultura que o Brasil não tem, à grande massa. Isso sim é um desrespeito e uma afronta.

Por fim, de minha parte não creio que entre um crente e um ateu, o ateu seria o mais ético, justo solidário, honesto.... Se for colocar os dois em situações difíceis, e for afunilando as condições de sobrevivência, não tenho dúvida de que todo esse heroísmo ateísta duraria pouquíssimo tempo. Claro que é uma suposição, mas sejamos honestos, o religioso se guia pautado na crença de um Deus que é bom e pede bondade ao próximo, e o ateu se guia por si próprio. Não é difícil imaginar quem é “mais bom” diante de situações difíceis.

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